sábado, 5 de maio de 2012

Os Principes na Torre

Os dois Principes

 É impossivel irmos à Torre de Londres e não ouvirmos falar dos dois Principes, misteriosamente desaparecidos. Duas crianças, cujos fantasmas habitam ainda a torre. 
O mistério dos Principes é conhecido e estes eram Edward (1470-1483) e Ricchard (1473-1483), filhos de Edward IV. Pouco depois da coroação de Edward, as duas crianças desapareceram e para nunca mais seram vistos com vida.

Edward nasceu em Londres em 1470 e o seu irmão, Duque de York, em Shrewsbury, em 1473. Os seus progenitores eram Edward IV e a sua esposa, Elizabeth Woodville. Edward IV subiu ao trono em resultado da Guerra das Rosas e conseguiu restaurar a estabilidade no país. Faleceu subitamente a 9 de Abril de 1483 e seu filho mais velho foi proclamado Edward V, em Ludlow.


Woodville e os seus apoiantes tentaram substitir Gloucester com um concelho regente, cientes do facto de que Gloucester os desprezava. Como novo rei, Edward V, viajou para Londres e encontrou-se com Gloucester, sendo foi escoltado até à capital, onde se alojou na Torre de Londres, em Maio de 1483. Em Junho, o Duque de York juntou-se ao seu irmão Edward. 
Os rapazes foram declarados ilegitimos porque alegadamente o seu pai estava prometido em casamento a outra mulher, antes do seu casamento com Elizabeth Woodville. 
Em Julho de 1483, Richard, Duque de Gloucester foi coroado Richard II. Os dois rapazes nunca mais foram vistos. É tido como certo que o seu tio os mandou assassinar, embora não haja provas e o caso dos dois principes permaneça até hoje um mistério. 
Em 1674 foram encontrados os esqueletos de duas crianças debaixo das escadas que levam à capela, no decurso de renovações na White Tower. Na altura acreditou-se serem os restos mortais dos prinicipes, embora as escadas, aparentemente, fossem as originais, e por isso construidas dois séculoas antes dos rapazes terem desaparecido, tornando improvável a teoria. por ordem de Charles II os restos mortais foram sepultados em Westminster Abbey. Em 1933, a sepultura foi aberta para verificar se a ciência podia esclarecer a dúvida e ficou determinado que os esqueletos pertenceram a duas crianças, uma entre os sete e os onze anos e a outra entre os onze e os treze. Contudo, pelo menos um dos cientistas envolvidos declarou que o esqueleto da criança mais nova, quase de certeza pertencia a uma criança com menos de nove anos, deixando dúvidas se os esqueletos pertenciam ou não aos principes.
Em 1789, no decorrer de reparações na capela de St. George's, em Windsor, trabalhadores entraram  acidentalmente no mausoléu de  Edward IV e da rainha Elizabeth Woodville, descobrindo no processo o que parecia ser um mausoléu mais pequeno. Neste foram encontrados os caixões de duas crianças, misteriosas e não identificadas. Não foi levada a cabo nenhuma investigação e o tumúlo foi selado de novo e nelo foram inscritos os nomes de dois filhos de Edward IV: George, 1º Duque de Bedford que morreu com dois anos e Mary of York, que morreu com 14.
Durante a escavação para o túmulo real do rei George III, por baixo da cripta de Wolsey em 1810-1813 foram encontrados dois caixões com as inscrições de George Plantagenete e Mary Plantagenet e removidos para o tumúlo de Edward IV. Ainda assim, nenhum esforço foi feito para identificar os outros caixões já existentes no tumúlo.
No final da década de 90, trabalhos na mesma área, da capela de St. George, levaram à excavação da área subterranea para substituição de um cilindro antigo e também para adicionar um repositório para os restos mortais de futuros reitores e canones de Windsor. Foi requisitada permissão para averiguar os tumulos ou com uma câmara de fibra óptica ou, se possivel, uma reexaminação dos dois caixões de chumbo não identificados. Com os testes cientificos modernos poderá ser possivel  determinar quem está sepultado junto de Edward IV. Seria necessário consentimento real para abrir qualquer túmulo real, por isso acharam melhor deixar o mistério medieval por resolver pelo menos para já.

 

Os fantasmas dos dois pequenos principes já foram avistados de mãos dadas, deambulando pela torre. Em 1990, dois guardas ouviram duas crianças a rir no exterior da torre.


domingo, 25 de dezembro de 2011

Ho, ho, ho!!!

Happy Christmas!!!!


O Pai Natal é original do antigo festival Inglês de equinócio, normalmente vestido de verde, um sinal do regresso da primavera. Era conhecido como "Sir Christmas", "Old Father Christmas" ou "Old Winter". Na sua forma primitiva, o "Father Christmas", não trazia prendas para as crianças, nem descia pela chaminé. Ele simplesmente andava de casa em casa, batendo às portas e celebrava com as familias antes de passar à casa seguinte. 
No "Conto de Natal" de Charles Dickens (1843), o fantasmas do presente é baseado no Pai Natal. É descrito como um homem obeso, de barba ruiva e fato verde debruado a pelo de arminho.
As imagens do Pai Natal vestido de vermelho começaram a aparecer nos postais de natal na época vitoriana.
Representação vitoriana do Pai Natal

sábado, 17 de dezembro de 2011

Christmas Carols

Os cânticos de Natal têm origem também na Inglaterra medieval, quando menestréis iam de castelo em castelo. As pessoas pobres iam brindar, trazendo as suas canecas à porta dos ricos na esperança de beber um pouco da sua bebida. Esta bebida era chamada de "lambswool". Era uma mistura de cerveja quente, com ovos, especiarias e maçãs assadas que flutuavam na mistura.
Hoje em dias os cantores normalmente pedem dinheiro para caridade. Em Gales existem vários grupos de "carolers" que ensaiam muito e bem antes da época natalícia, para estarem preparadas para a ocasião.
Um dos mais famosos cânticos de Natal é o "The twelve days of Christmas", aqui fica a letra e mais abaixo a música cantada por "carolers":

On the first day of Christmas  
My true love gave to me:  
A partridge in a pear tree.

On the second day of Christmas 
 My true love gave to me:  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the third day of Christmas  
My true love gave to me:  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the forth day of Christmas  
My true love gave to me:  
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the fifth day of Christmas  
My true love gave to me:  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the sixth day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Six geese a-laying  
Five golden rings
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the seventh day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Seven swans a-swimming  
Six geese a-laying  
Five golden rings
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the eight day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Eight maids a-milking  
Seven swans a-swimming  
Six geese a-laying  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens 
 Two turtle doves and 
A partridge in a pear tree.

On the ninth day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Nine ladies dancing  
Eight maids a-milking  
Seven swans a-swimming
Six geese a-laying  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and  
A partridge in a pear tree.

On the tenth day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Ten lords a-leaping  
Nine ladies dancing  
Eight maids a-milking  
Seven swans a-swimming  
Six geese a-laying  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and 
  A partridge in a pear tree.

On the eleventh day of Christmas,  
My true love gave to me:
Eleven pipers piping  
Ten lords a-leaping  
Nine ladies dancing  
Eight maids a-milking  
Seven swans a-swimming
Six geese a-laying  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens
 Two turtle doves and 
A partridge in a pear tree.


On the Twelfth day of Christmas,  
My true love gave to me:  
Twelve drummers drumming  
Eleven pipers piping  
Ten lords a-leaping  
Nine ladies dancing  
Eight maids a-milking  
Seven swans a-swimming  
Six geese a-laying  
Five golden rings  
Four calling birds  
Three french hens  
Two turtle doves and 
a partridge in a pear tree.





sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Comida de Natal Inglesa

No passado comiam-se muitas coisas estranhas no Natal. Uma festa de Natal pródiga na Idade Média servia-se cisne e pavão. A sua carne era tingida com açafrão dissolvido em manteiga derretida e as aves eram embrulhadas na sua própria pele e penas, que tinham sido anteriormente retiradas e postas de parte para serem assadas.

Goose Club de 1886
Na época vitoriana outra tradição natalícia era ganso assado ou peru. Nessa altura maior parte dos Londrinos estavam familiarizados com o "goose club", que era um método de poupar para comprar um ganso no Natal (é mencionado no filme da Walt Disney "Scrooge").
Logo de um Goose Club

Goose Clubs eram populares para a classe trabalhadora, que pagavam apenas uns poucos de pence por semana para a compra do ganso. Na semana antes do Natal, os mercados de carne Londrinos estavam cheios de gansos e perus importados da Alemanha e da França, embora alguns fossem criados em Norfolk e depois levados para o mercado em Londres. As aves vinham de Norfolk a pé e para proteger as suas patas vestiam botas aos perus, feitas de serapilheira ou pele e os gansos com uma camada de alcatrão. Esta tradição é mencionada em "A christmas Carol" de Charles Dickens.
Hoje em dia, se passarem o Natal com uma família tradicional inglesa, a entrada é provavelmente camarão ou salmão fumado. O prato principal será com certeza peru, maior parte das vezes cmprado já feito e quanto maior melhor, embora se tenha registado o regresso de ganso para algumas mesas. Para as familias vegetarianas ( há sempre algumas) um assado de nozes, normalmente servido com batatas (assadas, cozidas, em puré, ou das três formas), vegetais (incluindo couves de bruxelas), um vegetal assado semelhante as cenouras mas branco (parsnips), tudo coberto de molho e pão. Tudo isto é seguido de pudim de Natal, que é um pudim de fruta servido com molho de Brandy. Este pudim tem origens na época  Medieval, embora nessa altura fosse um pouco diferente do que é hoje. A tradição diz que se for feito em casa todas as pessoas que lá vivem têm de o mexer e quando o fazem pedem um desejo e que tem de ser mexido no sentido este, oeste em honra dos homens sábios (???). Algumas pessoas escondem uma moeda ou uma lembrança dentro do pudim, assim quem apanhar a moeda é quem vê o seu desejo realizado.
Pudim de Natal
Mas para mim o melhor do natal inglês é o mulled wine.... Uma bebida feita com vinho aquecido, com especiarias, incluindo canela, delicioso e aquece a alma!!!!
Mulled Wine

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

The Royal Parks - St. James Park


Londres está cheia de belos parques, onde as pessoas passeiam, apanham sol no verão, andam de bicicleta, patins, jogam, brincam, passeiam os seus cães, etc... Sem estes parques Londres seria uma cidade insuportável, carregada de poluição e sem cor. Eu adoro os parques de Londres, todos eles sem excepção. Hoje vou falar de um deles, St. James Park. Fica no coração de Londres, com 23 hectares, é o mais antigo parque real e está rodeado por três palácios. Tem um lago que abriga patos, gansos e pelicanos e dele se podem ver as mudanças da guarda real.
Quem chega do lado de Whitehall tem Horseguard Parade, onde se realiza todos os anos em Junho uma cerimónia tradicional denominada Trooping Colours e Beating Retreat. Do lado direito fica The Mall, a avenida que conduz a Buckingham Palace, que fica ao fundo do parque. 
O mais antigo palácio a rodear St. James é o palácio de Westminster, agora conhecido como Houses of Parliament, outro é St. James Palace, de estilo Tudor ainda é chamado de Court of St. James, embora os monarcas tenham vivido no terceiro palácio desde 1837, que é Buckingham Palace.
Buckingham Palace e Victoria Memorial
 Quem anda pelo parque hoje em dia, não consegue imaginar que há 470 anos atrás este Parque era um prado pantanoso, cheio de quintas onde se criavam porcos. No séc. XIII, foi fundado um hospital para mulheres leprosas, que deu o nome a este parque. Estes prados eram muitas vezes inundados pelo Rio Tyburn, no seu caminho para o Thames.
Era no entanto, um excelente sitio para a caça ao veado, paixão dos reis e rainhas da época. A corte real  instalou-se no Palácio de Westminster e em 1536 , Henry VII decidiu criar um parque para veados convenientemente perto. Adquiriu terras em St. James, vedou-as e construiu instalações de caça, que mais tarde se transformaram no palácio de St. James.
Quando Elizabeth I subiu ao trono, ela regozijou-se dando festas de todos os tipos, com toda a pompa e circunstância, como tanto era do seu gosto, neste parque. 
O parque permaneceu inalterado até 1603, quando o seu sucessor, James I, subiu ao trono. Ele drenou as terras do parque e controlou a entrada das águas. Na parte Oeste, perto de onde está hoje Buckingham Palace, fez um grande lago conhecido como Rosamund's Pond, na parte Este, haviam vários pequenos lagos, canais e ilhotas. James I, mantinha uma colecção de animais no parque. Esta incluía camelos, crocodilos e um elefante. Havia também aviários com aves exóticas ao longo de Birdcage Walk. Na lateral de St. James Palace o Rei mandou plantar um jardim de flores. Foi construída também, uma rua em frente ao palácio de St. James, aproximadamente onde é hoje The Mall, mas foi Charles II quem fez mudanças dramáticas. 
O parque tornou-se mais formal quando Charles II subiu ao trono em 1660. Ele estivera no exílio em França após a Guerra Civil Inglesa e ficara impressionado com os elaborados jardins da família real francesa. Quando Charles regressou a casa ordenou um novo projecto para St. James Park. O novo parque foi desenhado provavelmente pelo paisagista francês, Andre Mollet. A peça central era um canal direito e longo, delineado por avenidas com árvores em ambas as margens. O Rei abriu o parque ao público pela primeira vez, recebia convidados nele e cortejou a sua donzela favorita, Nell Gwyn. O diarista, John Evelyn, contemporâneo de Samuel Pepys, escreveu a 4 de Março de 1671: " Tive oportunidade de falar com sua Majestade...e depois percorri com ele St. James Park até ao jardim, onde ouvi e assisti a um discurso muito familiar entre...(o Rei) e Mrs. Nellie.
O rei Charles introduziu o jogo Pelle Melle, trazido de França. Este era jogado num campo vedado e os jogadores usavam um malho para bater numa bola e fazê-la passar por um arco. Os campos em St. James deram nome a Pall Mall e a The Mall.
Pelicanos em St. James
Também nessa altura começou uma tradição que se mantém até aos nossos dias. Em 1664, o embaixador Russo presenteou o Rei com um par de pelicanos. Estas aves ainda são oferecidas ao parque, hoje em dia, por embaixadores estrangeiros e permanecem uma das maiores atracções do parque.
Durante o séc. XVIII, foram feitas umas pequenas alterações. Foi construída a Horse Guards Parade, numa das extremidades do longo canal, que foi primeiro usada como picadeiro de adestramento e mais tarde para as paradas. Horse Guards Parade ainda faz parte de St. James parque. 
Em 1770, Rosamund's Pond já não existia e em 1761 a família real comprou o edifício no fim de The Mall, conhecido como Buckigham House. 
Em 1820 o parque sofreu uma enorme remodelação novamente. Foi remodelado num estilo naturalista. O canal transformou-se num lago mais curvilíneo. Caminhos serpenteantes substituíram as avenidas formais. Lindos arbustos tomaram conta dos canteiros de flores. Buckingham Palace foi alargado tornando-se num novo palácio, com um vasto arco de mármore na sua fachada. The Mall tornou-se numa grande avenida processional. Os trabalhos foram comissionados pelo Príncipe regente, mais tarde George IV. Fizeram parte de um grande projecto que criou muitos dos pontos importantes de Londres, incluindo Regent's Park e Regent's Street. Foram levados a cabo pelo arquitecto e paisagista John Nash. Ele projectou St. James em 1837 e passado um ano o trabalho estava terminado. Em 1837 a Ornithological Society of London introduziu algumas aves no parque e erigiu uma casa de campo (cottage) para o tratador de pássaros. Tanto a casa, como a função de tratador de pássaros permanecem até hoje. 
Casa do Tratador de Aves

O parque que se vê hoje é praticamente o que Nash desenhou, havendo apenas pequenas mudanças desde então. 
Foi permitido tráfego em The Mall em 1887. O arco de Mármore no exterior de Buckingham Palace foi retirado e colocado na junção de Oxford Street com Park Lane em 1851. 
Marble Arch

A área ao redor de Buckingham Palace foi remodelada entre 1906 e 1924, para a construção do memorial da Rainha Victoria, que celebra os dias do Império Britânico. 

Queen Victoria memorial
O memorial inclui não só a estátua de mármore da Rainha Victoria, as figuras resplandecentes da Vitória, Coragem e Constância, mas também os portões ornamentais oferecidos pelos Dominions. São eles os portões da Austrália, da África do Sul e do Canadá.
Uma elegante ponte suspensa foi construída através do lago em 1857 e foi substituída 100 anos depois pela ponte de cimento que se vê hoje em dia (infelizmente). 
Clarence House
Clarence House foi desenhada para o Duke of Clarence, mais tarde William IV e também foi a casa de falecida Queen Elizabeth,  a Rainha Mãe. 
As alterações mais recentes são para complementar o trabalho de Nash. Os arbustos estão a ser restaurados no espírito das suas ideias e um novo restaurante, que abriu em 2004, foi desenhado para encaixar na paisagem romântica.
St. James foi utilizado na rodagem de muitos filmes, desde os "101 dálmatas" até "Die Another Day" (James Bond).

Vista de St. James no sentido do Rio Thames

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Who's Jack??


Jack the Ripper tornou-se popular por muitas razões. Ele não foi o primeiro serial killer, mas foi provavelmente o primeiro a actuar numa grande metrópole, numa época em que a maior parte da população tornara-se letrada e em que a imprensa era uma força impulsionadora para mudanças sociais. O Ripper também apareceu numa altura de grande tumulto politico e assim, os liberais e reformadores sociais, bem como os Irlandeses tentaram usar os seus crimes para determinados fins políticos. As actividades de Ripper eram relatadas todos os dias nos jornais, bem como os resultados dos inquéritos e as acções levadas a cabo pela policia.  Até mesmo os pensamentos dos habitantes do East End, e os editoriais que atacavam as várias organizações da sociedade, apareciam todos os dias para os Londrinos e o mundo lerem.  Foi a cobertura da imprensa que tornou uma série de assassinatos em "algo novo", algo que o mundo jamais tinha visto. A imprensa foi também responsável por criar muitos mitos à volta de Ripper e acabou por transformar um triste assassino de mulheres, num monstro papão, que se tornou numa das figuras mais emblemáticas da criminologia na história. A restante responsabilidade é do próprio Ripper. Ele podia ter sido um comum assassino sexual nos anos 90, mas na altura ele apostou em aterrorizar uma cidade inteira e em chamar a atenção de todo o mundo sobre si, deixando as suas vitimas mutiladas à vista. No final, Ripper nunca foi apanhado e são os mistérios que o rodeiam que romantizam a história e despertam nas pessoas vontade de os resolver.
As vitimas


Não é certo o número de mulheres mortas por Ripper. São aceites cinco, embora tenha sido registado que ele matou apenas quatro, enquanto outros afirmam sete ou mais. O público, a imprensa e muito policias mais jovens acreditam que Ripper foi responsável por nove mortes. As cinco mais conhecidas são:





Sexta-feira, 31 de Agosto de 1888 Mary Ann Nichols Buck's Row, Whitechapel,
Sábado, 8 de Setembro de 1888 Annie Chapman No pátio traseiro em 29 Hanbury Street,
Spitalfields.
Domingo, 30 de Setembro de 1888 Elizabeth Stride No pátio ao lado de 40 Berner Street,
St Georges-in-the- East.
Domingo, 30 de Setembro de 1888 Catherine Eddowes Mitre Square, Aldgate, City of London.
Sexta-feira, 9 de Novembro de 1888 Mary Jane Kelly 13 Miller's Court, 26 Dorset Street Spitalfields.

















Elizabeth Stride
Mary Ann Nichols


Além destas cinco, existem fortes razões para acreditar que a primeira vitima foi na realidade Martha Tabram, que foi assassinada numa terça-feira, 7 de Agosto de 1888, e existem fortes suspeitas para por em causa se Stride seria realmente uma vitima de Ripper.
Todas estas vitimas eram prostitutas e foram mortas entre princípios de Agosto e princípios de Novembro de 1888. Todas foram mortas no exterior, com excepção de Tabram e Kelly e não há provas que sugiram que elas se conheciam. As suas idades e aparências eram variadas e quase todas eram alcoólicas e pensasse que estavam alcoolizadas quando foram mortas.

Suspeitos

Lewis Carroll


Prince Albert
Existem muitos suspeitos, cerca de 31, mas certamente o mais conhecido foi é o Príncipe Albert Victor. Embora entre a longa lista de suspeitos existam famosos, entre os quais Lewis Carroll, facto que só tomei conhecimento muito recentemente. O Príncipe Albert, filho da Rainha Vitória nasceu em 1864, rumores diziam que ele era um homem de muitas mulheres, e que fez parte de muitos escândalos abafados pela família real. Foi considerado por muitos uma criança "lenta", com uma educação pobre e tornou-se um adulto sem interesse e até mesmo aborrecido. Chegaram mesmo a haver afirmações que ele era levemente retardado. Albert teria sucedido no trono se não tivesse morrido vitima da epidemia de gripe 1891-92. Na altura dos assassinatos não havia provas que apontassem para Albert, estas apareceram muito mais tarde, depois de muitos dos principais suspeitos já terem falecido. Foi só em 1962 que se torna conhecida a primeira teoria sobre o envolvimento de Albert nos assassínios.Esta primeira teoria nasce no livro de Phillippe Jullien, Edouard VII. Nele Jullien diz " havia rumores que  príncipe e o Duque de Bedford eram responsáveis pelas mortes". Dr. Thomas Stowell pegou nesta "ponta de novelo" e em 1970, publicou um artigo na edição The Criminologist chamado "Uma Solução". Esta publicação fez sensação pela acusação velada ao Príncipe. Aparentemente Stowell usou material privado de Sir William Gull como primeira fonte de informação e foi este material que  o levou a esboçar a acusação. No artigo, o assassino é referido como "S", mas existem demasiadas evidências que permitem a identificação de Albert como culpado.
De acordo com Stowell, Albert sofria de sífilis, tendo contraído esta doença numa festa na Índia e que esta levou-o à loucura, compelindo-o a cometer os assassínios. Nesta teoria, a família real tinha conhecimento da culpa do Príncipe, "definitivamente após o segundo assassinato, e possivelmente logo após o primeiro (Rumbelow, p 196). O médico de Albert era supostamente Sir William Gull. Aparentemente nenhuma tentativa foi feita para impedir Albert até ao assassinato duplo, quando ele foi enviado à força para um hospital psiquiátrico privado.
Albert terá escapado e assassinado Kelly, sendo posteriormente apanhado e terá morrido em 1892, não de gripe como se diz, mas de alguma doença cerebral no hospital psiquiátrico privado em Sandringham.

As cartas de Ripper

Durante o Outono de Terror centenas de cartas foram enviada para a policia e para a imprensa local alegando serem escritas pelo assassino de Whitechapel. Maior parte delas foram dadas como falsas, escritas ou por jornalistas que tentavam iniciar uma história ou por tolos tentando incitar mais terror. Muitos "Ripperologistas" acreditam que todas elas são falsas. Outros especialistas acreditam que algumas (especificamente a carta "Dear Boss", o postal "Saucy Jacky e a carta "From Hell") são genuinas.

Dear Boss Letter

Recebida a 27 de Setembro de 1888 na Central News Agency, esta carta foi tida como falsa de inicio. Três dias mais tarde, o duplo assassinato de Stride e Eddowes levou as autoridades a reconsiderar,especialmente quando tomaram conhecimento que uma porção da orelha da última vitima tinha sido cortada, promessa feita na carta. A policia atribuiu muita importância a esta carta e assim, esta foi reproduzida nos jornais e placards na época, na esperança de que alguém reconhecesse a letra. Um postal escrito no dia 1 de Outubro para a Central News Agency, fazendo referencia ao duplo assassinato e à carta "Dear Boss", foi escrita pela mesma mão. Se são falsas ou não, é onde surge pela primeira vez a referência ao nome "Jack the Ripper" relacionado com os assassinatos de Whitechapel.

Tradução da carta:


"Caro Patrão,
Continuo a ouvir que a policia me apanhou mas parece que ainda não é desta. Riu-me quando eles se armam em espertos e dizem estar no caminho certo. A piada sobre o avental de pele ia-me matando. Eu vou dar cabo destas prostitutas e não vou parar de as estripar enquanto me apetecer. Grande obra o último trabalho. Nem dei tempo à mulher para gritar. Como é que me vão apanhar agora? Eu adoro o meu trabalho e quero recomeçar de imediato. Em breve terão noticias minhas de novo e dos meus jogos engraçados. Guardei alguma dessa coisa vermelha numa garrafa de cerveja de gengibre depois da última obra servir de tinta, mas No meu próximo trabalho vou retirar as orelhas à senhora e enviá-las aos policias só para divertimento. Guarde esta carta até eu ter elaborado mais algumas obras e depois entregue-a de imediato.  A minha faca é tão boa e está tão afiada que não vejo a hora de regressar ao trabalho. Boa sorte.

O seu verdadeiro
Jack the Ripper
Pode usar o meu artistico
PS Não posso enviar isto antes de tirar das mãos tod a tinta vermelha maldita seja. Ainda não consegui. Agora dizem que sou médico. ha ha"

Independentamente de serem verdadeiras ou falsas, o que é certo é que até hoje ninguém sabe quem foi Jack the Ripper. Na viragem do milénio, todos os fãs e curiosos esperavam ansiosamente a abertura do processo e assim, a revelação da verdadeira identidade, que alegadamente, é conhecida pela Scotland Yard. Diziam que iam revelar finalmente a identidade, uma vez que na viragem do milénio Jack the Ripper já teria falecido e assim, caso fosse realmente um membro da família real, já não haveria qualquer problema. Mas tal não aconteceu!

De tempos a tempos ainda aparecem noticias sobre Jack. Após tantos anos, ainda consegue ser noticia. Uma das últimas revelava o possível rosto do assassino (que estranhamente apresentava semelhanças a Freddy Mercury) e também alegadamente, iriam descobrir a verdadeira identidade de Jack através do DNA deixado nas vitimas. Como o farima não sei, pois nessa altura não havia banco de dados de DNA....e em quem vão testar se não sabem quem ele foi????). Jack tinha intenção de limpar Whitechapel da prostituição, penso que se hoje ele fosse vivo ficaria satisfeito, porque quem lá passa não vê nenhuma (pelo menos nas ruas). Foi também fruto de muitos livros sérios e ficcionais, de filmes e séries...povoou e povoa ainda o imaginário de muitos admiradores. Quanto a mim, jamais se saberá quem ele foi e continuar-se-á a supor que era este ou aquele.  E mesmo que A Scotland Yard saiba quem ele foi jamais revelará o segredo, pois iria estragar todo o mistério que envolve este Ripper e arruinar a ideia de que alguém, algures, em algum tempo, conseguiu o impossivel: Cometer o crime perfeito...



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Big Ben - Clock or Bell?

Trabalhadores a fazer manutenção no exterior do relógio


O nome de Big Ben é usado para denominar o relógio que se encontra no topo da torre de St. Stephen's e pelo qual o tempo do mundo se rege...mas enganam-se aqueles que assim o usam, pois Big Ben é o nome do grande sino que se encontra dentro da torre e que assim se chama em homenagem a  Benjamim Hall primeiro comissário dos trabalhos na torre entre 1855 e 1858 ou a Ben Count, campião de boxe do 1850. Sendo a primeira teoria é a mais lógica! Por isso, quando alguém diz que vai ver o Big Ben ou que viu o Big Ben, a não ser que entre na torre do relógio e suba até ao cimo da mesma, não vê o verdadeiro Big Ben. Ouvir sim, quem lá passou quando mudou a hora ouviu-o com certeza!

Instalação do Big Ben


WAarners de Norton perto de Stockton-on-Tees acabou o novo sino em Agisti de 1856 e este foi transportado por comboio e pelo mar até Londres, onde foi colocado numa carruagem e puxado através dde Westminster Bridge por 16 cavalos. Foi instalado primeiro em New Palace yard onde foi testado todos os dias até 17 de Outubro de 1857, quando apareceu uma racha de 1.2 mm. Ninguém quis assumir a culpa e várias teorias surgiram, incluindo a composição do metal do sino ou as suas dimensões. Warners culpou Denison por ter insistido em aumentar o peso do martelo de 355 para 660 kg e por isso pediu um preço demasiado alto para reconstruir o sino e George Mears, da Fundição de Whitechapel ficou com esta missão. O segundo sino ficou pronto a 10 de Abril de 1858.
Este sino era 2.5 toneladas mais leve que o primeiro e as suas dimensões eram demasiado grande para caber no poço da torre do relógio, assim foi inclinado e então elevado. Levou 30 horas para colocar o sino no seu sitio em Outubro de 1858. Os restantes sinos dos quartos de hora já estavam colocados no seu sitio. O Big Ben tocou em 11 de Julho de 1859 mas o seu sucesso foi curto, pois em Setembro desse ano o novo sino também rachou e o Big Ben foi silenciado por 4 anos. Durante esse tempo a hora foi marcada pelos quarto sino dos quarto de hora.
Em 1863 foi encontrada uma solução para o silêncio do Big Ben por Sir George Airy, o astrónomo real.
  • Big Ben foi virado um quarto de 360º para o martelo bater noutro ponto
  • o martelo foi substituido por um mais leve
  • foi cortado um pequeno quadrado no sino para prevenir o prolongamento da racha
O custo total do fabrico do relógio e dos sinos, cm a instalação dos mesmos na torre do relógio atingiu as £22.000.
Tirando paragens pontuais, o Big Ben tem soado desde então.

A paragem em 2007 foi a mais longa desde 1990. O mecanismo do relógio foi também suspenso por dois dias em Outubro de 2005 para permitir uma inspecção ao cabo de travão. Paragens anteriores de todos os sinos tiveram lugar em 1934 (dois meses) e em 1956 (seis meses).
Ao longo dos anos o relógio tem parados em diversas ocasiões acidentalmente, nomeadamente devido ao mau tempo, a avarias ou até mesmo por causa de aves. A avaria mais misteriosa ocorreu durante a noite de 110 de Agosto de 1976 quando parte do mecanismo de dar as horas se desintegrou por desgaste do metal. Causou grande prejuizo e afortunadamente ninguém se magoou. O grande relógio foi parado 26 dias ao longo de 9 meses, até estar completamente reparado.

Mecanismo do relógio